A hora já vai avançada. Não vou escrever muito mais porque como já deu para ver hoje não é dia para ideias interessantes. Mas o Tom Waits já anda cá há tantos anos e eu ainda não tinha publicado um vídeo dele aqui. Um dos meus músicos favoritos.
Diário público sobre o processo criativo de um possível cantautor. As minhas ideias, opiniões, referências e devaneios.
domingo, 29 de agosto de 2010
Desabafo pouco explícito mas lúcido
Em pausa nas gravações devido às condições climatéricas adversas, tenho posto em causa muita coisa que de há uns tempos para cá tem sido regra na nossa sociedade.
Ontem fui ver um concerto de Rui Veloso. Há já algum tempo que não tinha o prazer de ver ao vivo aquele que é, muito provavelmente, o melhor músico português dos últimos anos. Com músicas que não ficam gastas com o passar dos anos, milhares de pessoas aplaudiam "pai do rock português" como sempre o fizeram ao longo dos tempos. Por mais que alguém quisesse crescer sem ter de ouvir Rui Veloso, provavelmente saberia a letra de "A Paixão" de cor... e de outras 5 ou 6 músicas. Resumindo, Rui Veloso é o maior, e continuará a ser por muitos anos.
O tema do debate que surgiu entre amigos depois do concerto era inevitável: haverá hoje em dia um músico português que possa atingir o mesmo nível? A resposta é não. Actualmente os músicos que têm surgido na nossa praça têm de ter algo de diferente, por vezes absurdo, para que sejam aclamados pelas rádios e revistas entendidas. Os músicos que hoje em dia fazem parte do clube da nova música portuguesa procuram a diferença na sua obra. Alguns conseguem chegar a esta com alguma qualidade, outros atingem o ridículo. Andam por aí músicos tão medianos, alguns até maus, a serem comparados a génios e eu não consigo compreender porquê. Para muitos destes músicos está prevista uma curta mas efusiva passagem pelo mundo da fama (o que por um lado não deixa de ser mau). Tenho pena que se hoje aparecesse um novo músico de nome Rui Veloso a cantar "Não Há Estrelas no Céu", provavelmente cuspiam-lhe em cima e a música só passaria na Rádio Fóia...
Mas esta onda de "ser diferente" é comum a muita gente. Nas redes sociais encontramos centenas de pessoas que desejam aparecer, mostrar aquilo que fazem, serem diferentes, serem intelectuais, serem superiores a uma sociedade portuguesa decadente e envolta nos seus problemas crónicos. Adolescentes, muitos deles mais novos que eu, que partilham os seus amores e desamores em textos profundos, que citam Nietzche para se revoltarem com algo, que escrevem romances, que são jornalistas, pintores, músicos, filósofos, fotógrafos, cinéfilos admiradores de Fellini. Penso nos meus 16 anos e como tudo era diferente, comparado com estes jovens de hoje eu era um simples vegetal que gostava de banda desenhada.
Também eu tenho um blog, também eu tento ser músico, tento ser superior a muitos nalguns aspectos e também eu procuro o meu lugar neste mundo de afirmações. Partilho com os outros aquilo que gosto como tantos outros fazem. Mas não chego ao ponto ridículo de tantos pseudo-humoristas ou raparigas deprimidas com os seus romances. A geração do secundário destes dias é bem diferente da minha, apesar de não terem passado assim tantos anos. E esta justifica a quantidade de "músicos" que são aceites como sendo grandes músicos ou a quantidade de humor nonsense que é considerado genial. No entanto, verdade seja dita: também andam por aí alguns jovens de talento e gente que escreve muito bem, é questão de se procurar.
Em suma, peço desculpa por este meu desabafo e por todas estas ideias desconexas, mas tenho andado a ler muita merda na Internet.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Trabalhar com o que se tem
Cheguei à conclusão que não vale a pena andar a imaginar as minhas músicas com diversos instrumentos se estes não estão em minha posse. E também não ando a conseguir tirar o melhor som dos instrumentos de percussão, e não quero andar a utilizar aqueles kits musicais do GarageBand.
Assim sendo, acho que vou apenas gravar voz e guitarra. Óbvio que haverão várias pistas de voz para reforço ou segundas vozes, e podem ser usados outros instrumentos de corda como um cavaquinho cabo-verdiano ou um bandolim (instrumentos que tenho em minha posse neste momento). Como já consegui trabalhar melhor o som da voz e da guitarra, reduzindo ruídos e equalizando as faixas de forma satisfatória, este será com certeza o melhor caminho. O kazoo também já está pensado para uma música, e a sua gravação não requer muito esforço.
Toda esta ideia redutora surgiu porque voltei a ouvir um álbum que tenho cá em casa, e que já algum tempo não ouvia. Nebraska de Bruce Springsteen foi gravado a partir de gravações que este tinha feito com poucos instrumentos, com o objectivo de todas as músicas serem trabalhadas pela banda. No entanto estas gravações acabaram por ser o álbum em si, e que álbum!
Portanto pensar nas músicas tento em conta apenas aquilo que se tem poderá não ser assim tão mau, basta ter criatividade para que o resultado seja positivo.
Fica então o vídeo da música "Atlantic City" de Bruce Springsteen:
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Conversa de Raparigas
Disponível apenas por 24h, aqui fica a música "Conversa de Raparigas". A letra traduz uma conversa banal de café entre três mulheres bastante diferentes. E pouco mais há a dizer sobre a letra. Já não me lembro porque motivo a escrevi. A melodia é repetida em cada intervenção, não havendo um refrão na música.
Esta foi uma gravação feita por pistas, mas com retoques a serem feitos no futuro. Ainda se ouve ruído e um ou outro carro a passar. Também tenho de melhorar a minha afinação. Mas não acho que tenha ficado mal.
Um fascínio irracional

Andava há já algum tempo encalhado com uma melodia sem letra. Uma melodia um pouco mais pesada e sedutora, diferente daquilo que tenho feito ultimamente, e então andava à procura de um tema com as mesmas características.
A ideia surgiu estupidamente enquanto via televisão. Enquanto via um documentário sobre a vida de Kate Moss, apercebi-me do fascínio que tenho por esta mulher, seja pelos aspectos positivos como pelos negativos. Diferente de todas as super-modelos da sua geração, Kate Moss era frágil, extremamente magra e mais baixa que as comuns modelos. No entanto tinha algo que a tornava fascinante. O seu rosto estranhamente belo, o seu estilo grunge e o seu andar podem ter sido factores que contribuíram para a sua fama no mundo da moda. É muito interessante tentar perceber de que forma uma mulher, que não tem um corpo escultural, com todos os seus defeitos, se torna a modelo mais influente de todos os tempos. É esta característica desconhecida que certas mulheres têm que me fascina e apaixona. Kate Moss pode ser então a personificação dessa característica.
No entanto, Kate Moss sempre viveu uma vida louca. Das drogas à depressão, o exemplo de milhares de jovens foi perseguida e julgada pelos media constantemente ao longo da sua carreira. E este tema, já abordado anteriormente em outros posts, é já habitual na minha caixa de ideias. A pressão excessiva de uma carreira megalómana leva a que se cometam erros que podem acabar com uma vida. A fama aprisiona de tal forma aqueles que nela vivem, que se torna por vezes corrosiva para aqueles que nela aceleram demais. No entanto, Kate Moss, com todos os seus excessos, amores e desamores, conseguiu manter-se na rota certa, aguentando a sua carreira e a sua vida.
Assim sendo, Kate Moss personifica dois interessantes mundos: o fascínio irracional e o excesso. Dois mundos que podem dar um óptimo tema para uma letra. A letra ainda não tem título e não é sobre a super-modelo britânica, mas sim sobre todas as mulheres que de alguma forma são fascinantes fisicamente e que têm o excesso como a sua rotina (por vezes vêm-se algumas por aí). No entanto não considero esta letra como pessoal, dando a responsabilidade deste fascínio a um sujeito poético qualquer. A letra pode parecer completamente ridícula quando apenas lida, mas com a melodia a coisa fica muito melhor. Em todo o caso, não sendo assim nada de especial, deixo-a aqui:
De rosto singular,
Segreda a sua beleza.
Podendo afirmar
que está viva, com certeza.
Na sua montanha russa
Relaxa antes do almoço.
Lá do alto se debruça
E imagina o fundo do fosso.
Cai assim, não cai enfim
Deixa à sorte desenhar
O traçado mais perigoso.
Louca assim, bela enfim.
Prisioneira do prazer,
Que um dia a iluminou.
No desamor encontrou
A constante da sua vida.
Mas ninguém lhe perguntou,
Se estaria perdida.
Do excesso alimentava
O conforto da extravagância.
Mas é rainha e escrava
Da beleza e elegância.
Cai assim, não cai enfim
Deixa à sorte desenhar
O traçado mais perigoso.
Louca assim, bela enfim.
Prisioneira do prazer,
Que um dia a iluminou.
Ela nunca quis ser banal
E foi caro o preço a pagar.
Mas nunca é tarde
Para assim continuar.
Pois na sua loucura infernal
Se esconde o amor e a razão.
A frágil mas bela diva
Conquistou-me o coração.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
As Ferramentas
O material que tenho é todo ele da Behringer. Por muitos é uma marca mal amada. Pela minha curta experiência, nada tenho a assinalar. Tem feito o trabalho que esperava, e isso é bem positivo.
A mesa de mistura é muito pequena e compacta. É uma Xenyx 502, com uma entrada mono e 3 entradas stereo. A entrada mono é usada para ligar o micro e a guitarra. Como sou apenas eu a trabalhar neste projecto, e todas as músicas são gravadas por pistas, esta mesa serve perfeitamente. Tem depois outras funcionalidades que não vou estar aqui a enumerar para evitar posts maçadores. A mesa é então ligada a um controlador UCA200, que liga ao computador via USB.
O microfone é também da Behringer, um XM8500. Também de momento não tenho nada a apontar, mas como já referi, a minha experiência é demasiado curta para chegar a grandes conclusões. Comprei também um filtro da T-Bone, que faz uma grande diferença na redução de alguns ruídos (quando falamos a um microfone e pronunciamos algumas consoantes como o "p", existe sempre alguma distorção).
Tudo isto a funcionar possibilita resultados interessantes. Ainda há muito para explorar e aprender, mas também há tempo para tudo isso.
P.S. Não vou continuar constantemente a publicar estes textos que tinham tudo para ser técnicos caso eu fosse profissional. Em breve voltarei aos textos de opinião e às ideias novas.
GarageBand
Primeiro que tudo, dizer que não sou nenhum profissional em matéria de som. O GarageBand é um programa simples de utilizar, ideal então para mergulhar a minha ignorância. No entanto, por aquilo que já me apercebi e pelo que se fala na internet, não se trata de um mau programa (basta saber que os Nine Inch Nails produzem em GarageBand).
Adiante. O processo gravação é simples mas demora o seu tempo. Primeiro tenho de gravar tudo por pistas, guitarra, vozes e outros instrumentos, normalmente percussão. Cada pista é tratada isoladamente, com alguns efeitos e filtros de ruído, tentando sempre evitar o ridículo. Depois de tudo feito, a música é exportada para disco e aberta como um todo num novo projecto. Aí são feitos novos acertos para se obter o produto final. Esta é a explicação mais básica possível para este processo.
Todo este trabalho é feito num MacBook Pro com cerca de 2 anos. Para este tipo de "brincadeiras" tiro o meu chapéu ao pessoal da Apple. Fantástico.
Desde ontem gravei duas músicas. Fiquei muito satisfeito com o resultado final, tendo em conta que não sou nenhum profissional, e que não utilizo material topo de gama. Além disso existem sempre ruídos exteriores que podem afectar a gravação, mas até agora tenho conseguido contornar esse problema. Ficam então algumas imagens do GarageBand, para quem não conhece.
Esta primeira imagem mostra as diversas pistas da música "O Baile"
Esta imagem mostra o "tratamento final", com a faixa por inteiro a ser trabalhada com filtros e outras ferramentas que ainda desconheço os fundamentos teóricos.
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