quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Ponto de situação - volume II

Já lá vai muito tempo. Aliás, já lá vai demasiado tempo desde a última publicação. A onda criativa tirou um mês de férias e parece que vai voltando aos poucos. Parece que toda azáfama de exames, trabalhos e outras responsabilidades deixaram a máquina criativa relativamente lesada, sendo que esta precisa agora de um pouco de fisioterapia para voltar ao seu estado de graça.

Aos poucos surgem novas melodias. Não deixei de ouvir música, portanto as fontes de inspiração ainda se mantêm activas. Mas ainda não arranjei temas interessantes sobre os quais possa escrever letras. Por um lado quero afastar-me de letras com incidência na crítica social, muito por culpa dos Deolinda, que recentemente apresentaram uma música dessas características, música essa que é capaz de roçar a perfeição. Não me apetecia muito "sujar" esse tema, até porque acho que não tenho muito jeito para escrever letras de intervenção. Por isso terei de me virar para histórias banais e carroceis sentimentais. Mas são muito escassas as ideias que me surgem. Muito mesmo.

Ao escrever este post não tenho como objectivo falar de um tema em especial, isto porque ainda me faltam ideias interessantes e capacidade para as desenvolver. Simplesmente serve como uma espécie de ponto de situação da minha actividade musical.

Momento musical aqui no blogue, uma música que "descobri" há pouco tempo. Cantada por Milton Nascimento no álbum "Minas", aqui interpretada pelo autor da música, Toninho Horta. "Beijo Partido"


domingo, 9 de janeiro de 2011

Soul e Crítica Social


A crítica político-social ainda não é tema dos poemas que vou escrevendo, basicamente porque ainda não tenho capacidade para o fazer. A escrita com estas características exige uma mensagem forte e que mexa com quem a ouve, mas ao mesmo tempo não sendo demasiado directa, mascarando aquilo que queremos dizer numa metáfora. E mesmo se quisermos escrever a verdade nua e crua, é preciso que exista beleza no nosso discurso. Isto para quem não é um bom poeta é, e permitam-me a expressão, muito fodido. No entanto, e esta é uma teoria que defendo, acho que se existirem limitações e regras para um certo tema que escolhemos para um poema a nossa capacidade de dar a volta por cima torna-se mais apurada, quase como uma espécie de instinto de sobrevivência. Um exemplo disto são os regimes ditatoriais e de censura que proliferaram um pouco por todo o Mundo durante o séc XX. Falando da música escrita em português, é crónico dizer que as metáforas de Zeca Afonso que descrevem a situação política de Portugal na altura são brilhantes. Além de ser bom poeta, a censura fez com que a sua criatividade fosse "espicaçada". Sérgio Godinho e José Mário Branco são outros exemplos de grandes poetas que escondiam a sua mensagem em grandes letras. No Brasil a ditadura também reinou, e à conta disso Chico Buarque escreveu das melhores letras que alguma vez li.

Mas num país onde a liberdade é a sua bandeira, a critica social e política não deixa de ser uma constante. A mensagem não precisa de ser escondida, está lá crua e à vista de todos. Mas a escrita não deixa de ser bela e intensa. Gil Scott-Heron (um dos meus músicos favoritos) é especialista nisto. Numa América onde o racismo e a pobreza existem, Gil Scott-Heron pinta nas suas letras um quadro de tristeza e revolta social. Críticas fortes a uma sociedade que se diz ser evoluída mas que ainda hoje continua a descriminar fortemente as minorias raciais (discriminação essa que foi mais acentuada e fortemente combatida durante as décadas de 60 e 70). Depois encaixa todos os seus poemas num misto de soul, jazz e rap, estilos tipicamente afro-americanos e que reforçam a mensagem (a soul e o jazz fascinam-me imenso por serem estilos que nos levam a um sentimento de introspecção, dada a carga emocional que por vezes carregam). Existirão muitos outros poetas afro-americanos que escrevem magnificamente sobre este tema e que eu nem conheço (aceitam-se sugestões de nomes para eu explorar). Mas deste conheço a sua obra relativamente bem... e gosto.

100 publicações

Se as minhas contas não me falham esta é a minha 100 publicação. Não sou de grandes comemorações, mas 100 publicações deixam-me satisfeito. Sempre reflectem muitas opiniões, poemas e referências que vou deixando por aqui. Um número de 3 dígitos deixa sempre a imagem de que este é um blog com passado e com aspirações a um futuro cada vez mais interessante.

Nesta centésima publicação deixo uma música minha: "Um Achado Interessante". Acho que a letra ficou com uma dinâmica engraçada (apesar de ter um conteúdo bem simples). A melodia é também muito simples, mas até acabo por gostar da música. Foi a primeira (e até agora única) música em que usei o meu min-órgão Casio. Foi também usada uma linha de bandolim muito simples para as partes instrumentais. Fica então a música.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Ano Novo

Perdoem-me as minhas maneiras por este não ter sido o 1º post de Janeiro: Feliz Ano Novo (ainda vou a tempo) a todos os que seguem este blog. Espero que este seja um ano de concretização de grandes projectos para todos nós.

Um muito obrigado a todos aqueles que me motivam a continuar a escrever todos estes devaneios e textos carentes de brilhantismo.

Ataraxia Criativa


A ataraxia é um estado de espírito no mínimo horrível. Se no passado Ricardo Reis conseguia evocar esta emoção de uma forma bela e rendilhada, eu sinto que ser atacado por um estado de dormência (neste caso, criativa) não tem nada de cativante. Faz hoje precisamente um mês desde a minha última publicação aqui no blog. As férias deixaram-me num vazio de criatividade e de vontade de escrever, o que é relativamente grave quando se tem alguns projectos a curto prazo a serem desenvolvidos. Não foi por falta de momentos interessantes nem por falta de tempo que a vontade de criar não surgir ao fim deste tempo todo, simplesmente deixou-se ficar no seu canto a descansar um pouco (quero eu acreditar). A ataraxia tomou o seu lugar e deixou qualquer melodia feita desprovida de sentimento. O melhor por agora será gravar aquilo que falta ser gravado para que o próximo passo possa surgir naturalmente.

É estranho não ter um rasgo criativo há algum tempo com a quantidade de material audiovisual que me tem aparecido à frente e que me tem deixado apaixonado. Vi o "Black Swan" (imagem do início), do Darren Aronofsky, estas férias (já tinha falado sobre o filme há alguns posts atrás), e fiquei deveras impressionado e deliciado. Para mim o filme roça a perfeição. Vai crescendo de intensidade a cada cena, a cada diálogo, e termina de uma forma absolutamente arrebatadora, final esse que me deixou num estado de catarse doentia. Uma descarga de adrenalina e emoções que poucos filmes me concederam. Brilhante! Este filme poderia bem ter sido um desbloqueador de criatividade musical, mas isso não aconteceu. Talvez devido ao facto de se tratar de um filme obscuro e paranóico, algo sobre o qual não costumo escrever. Iluminou-me noutros aspectos, por esta razão considero-o um dos melhores filmes que já vi. Para finalizar, a Natalie Portman revela ser uma actriz brilhante (se poucas dúvidas existiam a este respeito). Quando se tem talento natural para representar, o erro acaba por ser um cenário muito raro.

O obscuro e o macabro tem sido, curiosamente, uma temática que tem ocupado as minhas audições. Já muitas vezes ouvi o álbum "Muller No Hotel Hessischer Hof" dos Mão Morta. Os poemas são do dramaturgo alemão Heiner Muller, poemas esses absolutamente macabros e carregados de horror. Contudo, o álbum é uma obra prima da música portuguesa na minha opinião. E não me tenho cansado de o ouvir e de descobrir nas suas letras morais muito interessantes. Fica aqui o vídeo "Floresta Em Sonho". Amanhã logo escrevo mais, espero eu...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Mais uma do "Fenómeno"


Se existe um responsável por eu gostar de música portuguesa, esse só pode ser Rui Veloso. É certo que existem mais nomes que venero, mas o Rui Veloso tem sido ouvido desde a infância, merece por isso maior consideração.

"Mingos & os Samurais" é provavelmente o álbum mais mítico da minha infância. Duas cassetes que eram ouvidas infinitamente, ou no carro ou num pequeno rádio que eu tinha. No entanto houve um álbum de Rui Veloso que vincou o meu gosto musical de forma mais carregada. "Avenidas", de 1998, é um dos meus álbuns favoritos, e foi responsável por essa moldagem musical. Na altura devia andar na primária, no 4º ano, e tenho ideia que o CD foi prenda de Natal. Músicas fantásticas que sabia de trás para a frente, tal era o número de vezes que as ouvia, e que ainda hoje me conseguem fascinar.

"Todo o Tempo do Mundo" era o single na altura. Não é a minha música favorita do álbum (essa deve ser provavelmente a música "Avenidas", brilhante), mas não deixa de ser uma excelente faixa. Tantas vezes foi ouvida, no entanto não dá para enjoar. Ser intemporal é a sina do Rui Veloso.

À Espera de Férias

Estas 2 semanas serão certamente pouco produtivas no que diz respeito a criação musical e gravações. Apenas daqui a duas semanas posso retomar o processo criativo.

Entretanto, nas duas últimas semanas, fiz três músicas. A meu ver são provavelmente das melhores músicas que fiz. Sinto que estou mais objectivo na hora de fazer uma música e uma letra, razão pela qual as músicas mais recente me têm enchido as medidas. Curiosamente nenhuma das três músicas tem título.

Sou péssimo a escolher títulos para as músicas. Normalmente a primeira ideia que vem à cabeça é aquela que fica, mas já me venho a arrepender dessa atitude. Certas músicas que fiz têm títulos relativamente fracos. Assim sendo prefiro pensar bem nestes três títulos (também porque gosto especialmente das músicas, senão estas provavelmente já teriam um título qualquer). Sobre as letras posso dizer que uma delas é uma carta a uma pessoa distante, outra é sobre duas pessoas bastante diferentes e outra fala de luta e tempos de mudança.

Assim que estas três músicas estiverem gravadas, o meu protótipo de álbum de originais fica completo. Este incluirá 13 músicas. Tenho muitas mais feitas, muito diferentes entre si e algumas que acho muito interessantes, mas que prefiro deixar de fora do "protótipo" por enquanto. Depois é só registar as músicas escolhidas. Apesar de ter escolhido um pré-nome para este possível álbum, prefiro reconsiderar e escolher um outro nome. Depois de tudo pensado, é meter mão à obra, registar e divulgar. Depois é bom continuar a sonhar