quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Nuno Prata: a sombra revela-se


Há poucos dias atrás comecei a ouvir o novo álbum de Nuno Prata, "Deve Haver". Numa entrevista que li no jornal Ionline, apercebi-me que partilho alguns pontos de vista com o músico e ex-baixista dos Ornatos Violeta. Segundo Nuno Prata, as suas músicas são escritas na solidão do seu quarto. As letras têm sempre algo de si mas não são uma transcrição fiel da realidade. É criada uma personagem com a qual se dialoga a cada poema. É basicamente esta a minha forma de pensar. O álbum, na minha opinião, está fabuloso. As letras e as melodias funcionam de forma brilhante, e a cada audição vou invejando cada vez mais o seu talento criativo.

Surgiu-me então uma dúvida que me tem "atormentado" desde então. Porque motivo é que Nuno Prata nunca escreveu nada para os Ornatos Violeta? Este foi sempre escrevendo as suas músicas, mas nenhuma foi aproveitada para a banda, sendo posteriormente editadas num álbum a solo. É verdade que a banda era liderada pelo "mestre", segundo Nuno Prata, o vocalista Manuel Cruz. Era do génio criativo de Manuel Cruz que saiam todas as letras e a maioria das melodias da banda, todas elas verdadeiramente impressionantes. (É importante dizer que foi muito por "culpa" de Manuel Cruz que comecei a escrever o meu próprio material. Quando comprei o álbum do seu projecto "Foge Foge Bandido" foi como se algo me iluminasse e me levasse a escrever e a libertar a minha veia criativa). Assim sendo, seria muito difícil um músico tão influente como Manuel Cruz não escrever todo o material da banda. No estilo de Nuno Prata nota-se claramente as influências de Cruz e as semelhanças inevitáveis nas melodias e letras.

Tudo isto remete para uma questão: não será demasiado frustrante para um músico de uma banda, que componha as suas próprias músicas, andar na sombra de outro? Isto porque Nuno Prata tem muita qualidade, e algumas das suas músicas poderiam muito bem ser óptimas músicas para os Ornatos Violeta. Passar 5 anos a tocar numa banda as músicas de uma pessoa é bastante simples quando não se tem a vontade de compor e escrever as suas ideias. Mas quando se tem material no bolso e se anseia por o tocar em público um dia, acredito que seja complicado coabitar com o "mestre". Tudo isto é mera especulação obviamente. Falo por mim, acho que não duraria muito tempo numa banda com a qual não colaborasse criativamente. Teria de haver sempre músicas de todos ou quase todos os membros. Se calhar fazia como o Nuno Prata (não quer dizer que ele tenha pensado assim, mas pronto), aprenderia com alguém muito mais talentoso que eu e que liderava a banda da qual eu fazia parte, e passado uns tempos lançava uma carreira a solo. E se tudo corresse bem, fazia um álbum verdadeiramente fenomenal.


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

"Estória do Gato e da Lua"

Já lá vão muitos anos desde a última vez que vi esta "curta" animada. Na altura andava no 7º ano. O interesse surgiu durante um trabalho da escola, feito por mim e mais 2 amigos. Fizemos um filme de animação com figuras de plasticina. Foram meses de trabalho para um resultado final de poucos segundos. Foi um trabalho fantástico, não só pelas horas de amizade bem passadas, mas também pelos ensinamentos que adquirimos (um dia meto aqui o vídeo, quem sabe).

Durante todo este processo foi muito o cinema de animação português que vimos. Esta "Estória do Gato e da Lua" de Pedro Serrazina marcou-me particularmente na altura, pela simplicidade e pela força das palavras e sentimentos. Ainda bem que hoje, por acaso, a revi.

Portugal é um país de uma criatividade ímpar, é pena que não seja dado o devido valor a quem merece.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Já era tempo de voltar aqui


Antes de mais um pedido de desculpas, não só às 6 pessoas que lêem este blogue, como a mim mesmo também. O tempo para escrever aqui tem sido escasso, com o estudo para exames a ocupar o horário nobre das minhas últimas semanas. Mas não ando só a estudar.

Não quer dizer que ande com falta de ideias, mas não tenho andado a concretizar nada musicalmente. O tempo que tenho livre que poderia ser usado para fazer música é usado para ouvir a música de outros. Ando a relembrar o Rui Veloso, comprovando ser a minha referência crónica nas músicas que faço. Ando a ouvir Jorge Palma, e a pensar que poderia ser indiscutivelmente o melhor músico português dos últimos 30 anos se conseguisse actuar em público minimamente sóbrio. Ando a ouvir de forma doentia tudo aquilo que o Trent Reznor faz. E tudo o que ele faz é estupidamente genial. Ando a rogar pragas ao Samuel Úria, por ter colaborado para um dos meus piores momentos musicais de sempre (eu já não apreciava muito o seu trabalho, e depois de o ver ao vivo questiono como é que se dá tanto crédito não só ao Úria, como a outros músicos da mesma escola que por aí andam. A música portuguesa anda muito bem, com excelentes bandas e músicos que vão surgindo, mas alguns como o Samuel Úria são estupidamente sobrevalorizados). Continuo a achar que o Chico Buarque é o melhor cantautor do Mundo, e descobri há poucas horas uma banda francesa, os Paris Combo, um estilo de jazz muito interessante. Entretanto vou tomando notas.

Ando a pensar num filme que vi ontem chamado "Before Sunrise", um filme que foi capaz de me seduzir profundamente. Um filme incrivelmente simples e incrivelmente belo. É impressionante um filme ter-me deixado ao mesmo tempo emocionado e deprimido. E depois fui masoquista o suficiente para ver há pouco o "Before Sunset" (o protótipo de "sequela" perfeita para um filme), voltar a emocionar-me e voltar a ficar deprimido. Vejam os filmes, são absolutamente geniais (e não, não vou precisar de terapia num futuro próximo por os ter visto).

Com tudo isto, o mais provável é que me meta a fazer música à velocidade da luz. Acredito que recomece em breve, é só uma questão de... tempo.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Um Trio Criativo com demasiados recursos

Ontem, Sábado, tive oportunidade de ir ver o concerto dos Pinto Ferreira a' "Os Artistas" em Faro. Tinha curiosidade de ver esta nova banda nacional. Uma sonoridade muito pop, musicas com melodias alegres e letras de amores e desamores.

O concerto foi bastante bom. Um trio bastante interessante musicalmente. O baterista toca bateria com uma mão, deixando a outra mão num teclado que marca o baixo. Bom trabalho a este nível, se bem que se trata de uma ideia que não me agrada muito. Outro elemento da banda (creio que o Ferreira) é aquilo a que se chama "pau para toda a obra". Em 9 ou 10 músicas que compuseram o alinhamento, o Ferreira tocou banjolim, cavaquinho, acordeão, órgão, melódica, guitarra e uma espécie de maraca, além de fazer segundas vozes. O Pinto ficava a cargo da voz e guitarra principal. A meu ver, um trio com "demasiados" instrumentos em palco. Digo demasiados porque, na minha opinião, alguns não traziam nada de novo à música, sendo a sua utilização quase um capricho. Sem desprimor pelo Ferreira, que é aliás um excelente executante em todos os instrumentos que tocou, creio que esta extrema carga de trabalho o impediu de realizar tudo da melhor forma. Por exemplo, as segundas vozes eram por vezes interrompidas quando este precisava de olhar para o banjolim ou acordeão. Mas pronto, este é só um pequeno pormenor menos bom num excelente concerto (manias minhas de reparar nisto).

Os Pinto Ferreira são possivelmente o protótipo de banda que gostava de fazer parte. Um trio, ou seja, poucos elementos a trabalhar, muita criatividade, energia e amor pela música. Se tivesse uma banda dessas e ganhasse bom salário, se calhar também comprava aqueles instrumentos todos, mas racionava o seu uso de outra forma.

Resumindo, foi um óptimo concerto. Boa música e entretenimento num espaço mítico como o salão d'Os Artistas (quem anda por Faro e nunca lá foi é favor de o fazer).

Neste vídeo não está presente o baterista, mas dá para ter uma noção do estilo de música.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Emmy Curl

Hoje descobri a beleza desta compositora. Catarina Miranda, conhecida por Emmy Curl, tem tudo aquilo que é necessário para singrar na música. Boa voz e capacidade criativa, qualidades que são a base de músicas lindíssimas.

É para mim difícil render-me a algo numa primeira audição, mas este caso foi uma excepção à regra. Talvez porque me tenha identificado com as melodias. As linhas melódicas são cativantes, algo que também gosto sempre de alcançar quando faço as minhas músicas. Ainda não me debrucei sobre as letras, mas haverá tempo.

Muitos parabéns à Emmy, porque as músicas (pelo menos as 5 que ouvi) estão fantásticas. Acredito que daqui a pouco tempo ela estará na alta roda da música nacional.

Fica aqui a minha música favorita:

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Recomendação... para a semana toda!

Ando completamente viciado em Nine Inch Nails. Não vou definir o estilo da banda, simplesmente porque não o sei definir. Apenas posso dizer que as inúmeras misturas de sons e as letras pesadas criam um cenário auditivo perfeito. Podem consultar por "Industrial Music" para uma informação mais detalhada sobre o género musical dos NIN.

Trent Reznor, o líder da banda, é um visionário e um génio criativo. Um exemplo que deveria ser seguido por muitos dos músicos novos que andam por aí.

Acabo no entanto por meter aqui uma faixa nada pesada nem electrónica, a versão para piano de "The Day The World Went Away", do álbum The Fragile (um dos álbuns mais ouvidos nos últimos dias). A música é brilhante!

Quando as ideias faltam, inventam-se textos


Ando com falta de ideias para escrever aqui no blog. Por outro lado não tenho andado com falta de ideias para músicas. Ando com duas melodias sem letra ainda, mas já com alguns esboços mentais para que estas sujam o quanto antes.

Tenho também andado a mostrar as minhas músicas a mais pessoal e o feedback tem sido muito positivo. É certo que tenho apenas mostrado a pessoas que me conhecem, o que pode condicionar uma crítica mais negativa. Mas, por outro lado, acredito na sinceridade das pessoas. Portanto, e resumindo, muito obrigado pelo apoio mental.

Continuo também a escrever aquelas prosas relâmpago, que normalmente surgem quando não tenho nenhuma ideia para um tema e começo a escrever a partir do vazio. Assim surgiu, há coisa de cinco minutos, este texto de nome "Ao Rodar a Cabeça". É capaz de ter surgido devido a um pequeno trauma que tenho com puzzles. Aqui fica então:



"Num rápido rodar de cabeça, é fácil poder aperceber-me das constantes mudanças que vão acontecendo gradualmente à minha volta. Um rodar de cabeça, um gesto simples que transporta em si um conhecimento inerente não quantificável. Tudo aquilo que nos escapa à visão periférica torna-se perfeitamente perceptível.

Após esta diferente posição facial, os meus olhos começam a adaptar-se à nova paleta de cores que surge. Vou focando lentamente, sentindo algumas dificuldades ao início. Estas são ultrapassadas graças à minha vontade doentia de ver aquilo que outrora não via. E quando a imagem é focada e tudo se torna claro, fico abismado com aquilo que vejo. É inevitável não esconder o sorriso e pensar "consegui, consegui ver para além do plano." Tudo então é novo. As pessoas, as paisagens, os sentimentos. Num simples rodar de cabeça, uma complexa panóplia de acontecimentos surge à velocidade de uma qualquer aeronave de um filme de ficção científica dos anos 80. No entanto, é difícil para o meu cérebro assimilar tudo isto numa fracção de segundo. Leva algum tempo a ordenar as peças do puzzle. Primeiro há que colocar as peças dos mesmos tons em grupos separados, só depois se pode começar a montar a imagem.

Numa das peças desta minha nova visão vejo um rosto. Um rosto que já conhecia, mas que volta a surgir nesta minha nova posição facial. Haverá então factores que se repetem, apesar de ter orientado a minha visão de forma diferente? Após novo olhar atento, vejo que este rosto olha para mim de forma diferente. A sua expressão rejubila de intensidade emocional, alegria, tristeza, dúvidas e certezas. É impossível não achar esta peça interessante, na medida em que se destacou de todas as outras que aparentavam ter o mesmo tom. Fico então a observar a peça atentamente. As suas formas exactas são decoradas, e vou tentando desfigurar em que lugar esta pode ser encaixada. E enquanto decoro cada milímetro e cada curva da peça, o rosto nela contido não para de me impressionar. Surge uma obsessão por esta peça, que me vai corroendo lentamente.

"Não!"

Paro então a análise minuciosa que estava a fazer. Deixo a peça de parte e começo a encaixar as peças mais banais. O meu interesse doentio por aquele rosto e pelas formas da peça apodrece. Só assim vou conseguido montar as restantes peças do puzzle. Mas isto não quer dizer que dela me esqueça. Mas também sei que só no final deverei colocar esta peça, só quando todas as outras estiverem montadas. Pois só nesse momento poderei fazer parte da minha nova visão.

Volto a rodar a cabeça rapidamente. Um nova imagem surge. Novas paisagens, novas pessoas, novos vícios, novas emoções... e o mesmo rosto."