sábado, 5 de junho de 2010

Carta de Amor em Si7m5b


O desafio parecia simples: fazer um tema original para o VIII Festival Jovem da Canção Religiosa (Diocese do Algarve). O tema da letra seria "Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé." Tudo poderia ter decorrido da forma mais normal possível: fazer uma música alegre e alimentar o estereotipo de que a música jovem cristã é "pimba". Puro engano.
Em meados de Dezembro de 2009 surgiu-me uma melodia iniciada no acorde Si7m5b, uma descida simples mas bem interessante. Tudo ficou em banho-maria, até uma certa tarde de Fevereiro. Eu e o meu colega e amigo criativo Ricardo Maia trabalhamos então na música, corrigindo algumas falhas e trabalhando nas linhas melódicas de outros instrumentos. A melodia estava feita, e o orgulho destes dois pseudo-génios era tal, que a melodia ficou colada na nossa cabeça, de tanto a ouvirmos. Faltava outra peça importante: a letra.
Numa noite de Maio, poucos dias antes da data de entrega da música, eu e o Luís de Jesus, a voz principal deste tema, unimos as nossa ideias e experiências de fé. Estas foram transcritas para uma letra que também muito nos satisfez. A música estava completa. Ao baixo acompanhou-nos o nosso amigo Miguel Santos, um conhecedor da boa música cristã, e extremamente importante nas dicas finais de interpretação da música.
O resultado foi apresentado em Lagoa no passado dia 29 de Maio. Não ganhamos, nem o queríamos. A nossa música destacou-se pela diferença, sendo a única neste registo. Obviamente que estiveram a concurso grandes músicas, grandes vozes e compositores, mas o registo foi o mesmo de sempre. O nosso objectivo foi cumprido.

Esta música será tocada muitas vezes. Muitas mais virão com certeza, pois é um prazer e um orgulho trabalhar com uma equipa como esta. Um grande abraço!

P.S. Perdoem-me o toque muito sentimental, que não é muito usual em mim, mas esta música merecia.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O meu filme de referência

Voltando a falar um pouco nas minhas referências, deixo agora um curto post sobre um filme (blog sobre cinema é com o meu seguidor e amigo Pipocas Quentes), aquele que é o meu filme de eleição. Cinema é uma das minhas paixões e principais inspirações. Acredito que se consigam descobrir alguns traços da personalidade de uma pessoa através dos seus gostos, sejam musicais, cinéfilos, literários ou gastronómicos (este último muito importante).

Há algum tempo tinha dificuldade em responder à questão "Qual o teu filme favorito?". Hoje em dia essa questão é fácil de responder. Talvez um dia consiga explicar melhor o porquê de "Paris, Texas" do realizador alemão Wim Wenders ser o meu filme favorito. A conjugação de tudo no filme (argumento, banda sonora, actores, fotografia) o torna deveras especial, um road movie soberbo. A descoberta do nosso interior, a procura de uma razão de vida, o reencontro e o amor são temas centrais no filme, e também temas centrais na minha escrita.

Fica então a recomendação. O meu filme de eleição:



quinta-feira, 3 de junho de 2010

"Musas Inspiradoras"

Cheguei a escrever alguns poemas com base nalgumas fotos destas modelos. Os meus parabéns a Bernardo Coelho por conseguir, numa foto, elevar exponencialmente a sensualidade feminina:

http://olhares.aeiou.pt/bernardocoelho

O Passeio

Procurei com este poema fazer uma pequena brincadeira, mantendo a métrica dos versos sempre constante, e terminar sempre os versos com uma palavra esdrúxula. Depois o objectivo foi criar uma espécie de ciclo e jogo de palavras. Esta ideia surgiu depois de ouvir pela milésima vez a música "Construção" de Chico Buarque. O poema do Chico é escrito neste padrão. É um poema fantástico. Obviamente que não o tentei copiar, porque eu nem tenho um centésimo do talento e genialidade de Chico Buarque. Tentei apenas brincar um pouco com esta "regra" que ele criou, e o resultado até ficou engraçadinho. O poema não é muito grande, e provavelmente não dará música nenhuma.
O tema do poema? Bem, eu vejo-o como um poema de amor, falando de que forma este pode subsistir até nos lugares mais estranhos. "O Passeio" é então uma jornada por esses lugares, na tentativa de explicar o inexplicável do amor.

O Passeio

Procurei-te perto do túmulo,
Nesse lugar tão belo, o túmulo.
Tão vivo, simplesmente único,
Decorado com tons de ébano.

E chegaste, em presença ávida,
Caminhando pelo chão húmido,
Decorado com tons de pálido,
Esse lugar tão belo, o túmulo.

Caminhando pelo chão pútrido,
Encontrei-te perto da árvore.
Na planície, decerto a última
Tão viva, simplesmente ávida.

Nesse lugar tão belo, o ébano,
Decorado com tons de túmulo,
Encontrei o nosso amor ético
Tão vivo, simplesmente único.

13/04/2010

Ideias soltas parte I (porque é possível que aconteça isto várias vezes)

Tenho vontade de escrever sobre algo, mas não sei sobre quê. Há pouco estava a escrever sobre dualidade, e de que forma este é um tema recorrente na minha escrita, mas o texto não me estava a sair bem. Logo o publico então mais tarde.
A título informativo, enquanto estou a escrever este texto, estou a ouvir o álbum "Clube da Esquina" do Milton. Neste momento toca a música "Clube da Esquina nº2" (é favor pesquisarem), e uma certa onda nostálgica começa a percorrer-me o corpo. Ao olhar para a imagem central do meu blog, comecei a lembrar-me de bons momentos que tive com os meus amigos em que uma guitarra esteve presente, e agora começo a perceber que foram quase todos (o que é impressionante). Se a guitarra fosse uma mulher, eu poderia muito bem ser considerado islâmico...
Mas como eu estava a dizer, a música tem uma capacidade impressionante de reunir amigos. Uma saída nocturna à praia com uma guitarra torna-se uma experiência altamente interessante. A partilha de ideias e a boa companhia são regadas pela música. E é também impressionante lembrar-me das pessoas que conheci por causa da música, algumas delas verdadeiramente talentosas. É mesmo muito difícil exprimir o valor da música na minha vida. É impressionante a quantidade de momentos que estão rotulados por uma determinada música, que sempre que a ouço é como uma viagem no tempo. Isto não acontece com toda a gente? Eu quero acreditar que sim...

E pronto, a vontade de escrever até fez com que produzisse algo interessante. Obviamente que posso aprofundar este tema muito, muito mais. Mas melhor que escrever é experimentar e sentir, e com o Verão à porta, essas saídas vão multiplicar-se. Estão todos convidados!

(neste momento toca a música "Os povos"... é sem dúvida um dos meus álbuns favoritos)

"Num murmúrio feroz e sombrio"

Este poema não está datado, mas creio que seja de Setembro de 2009. É curioso referir que este poema era para ser maior, no entanto a suposta terceira estrofe encontra-se totalmente riscada no meu caderno de ideias. Tenho ideia que o escrevi a altas horas da noite, mas até foi minimamente pensado.

Num murmúrio feroz e sombrio,
o rapaz rasga a cortina do vazio
e exalta aos céus a doce revolta
e a plenitude de um tumultuoso espaço.
À espera de um olhar penetrante,
à espera de um saber, de um último pedaço.

E com um olhar pútrido ela surge,
tão charmosa e atraente, em véu de seda carmim
qual ninfa demente, qual coisa ruim,
que assola a terra em noites de Sol quente.
A desilusão, pois pudera eu travá-la enfim,
Mas em mim ela se cola para sempre.

Algumas recomendações

De vez em quando irei sugerir uma música de alguém que é para mim referência no ramo. Os meus gostos são extremamente variados, bebendo de várias fontes para criar os meus originais. Sinto que ainda não defini um estilo de escrita e um estilo musical (talvez seja benéfico começar a pensar nisso). Deixo então um vídeo de uma música de um dos meus compositores favoritos (mais tarde, esta noite, sou capaz de escrever uma dissertação sobre qualquer coisa).