
Eu gosto muito de escrever sobre situações práticas, pegar naquilo que é palpável e comum e tentar através dessas imagens transmitir sensações. Vou fazendo isso com as minhas músicas. A maioria são pequenos enredos, alguns bastante comuns. Acho que me perco se escrever sobre assuntos demasiado abstractos, por isso mantenho esta linha de raciocínio.
Escrevi este poema há dez minutos. Fala dos benefícios que uma ligeira pausa na nossa rotina nos pode proporcionar. Mas essa mesma pausa pode tornar-se parte da própria rotina. E este é o dilema de todos aqueles com trabalhos comuns.
Pausa para café
De chávena quente na mão
Saboreio o novo dia a cada gole quente.
O cheiro a jornal traz a boa nova
De uma realidade certamente diferente
Ou não estivesse o Mundo em rebelião.
Cada página com um novo achado
Estimulado por um alcalóide vulgar,
O Sol ainda tímido e a rua desinibida.
São diferentes passos de um velho caminhar,
Por vezes traçado em tom desesperado.
Mas o café sabe sempre ao mesmo...
