quinta-feira, 14 de julho de 2011

"Pausa para café"


Eu gosto muito de escrever sobre situações práticas, pegar naquilo que é palpável e comum e tentar através dessas imagens transmitir sensações. Vou fazendo isso com as minhas músicas. A maioria são pequenos enredos, alguns bastante comuns. Acho que me perco se escrever sobre assuntos demasiado abstractos, por isso mantenho esta linha de raciocínio.

Escrevi este poema há dez minutos. Fala dos benefícios que uma ligeira pausa na nossa rotina nos pode proporcionar. Mas essa mesma pausa pode tornar-se parte da própria rotina. E este é o dilema de todos aqueles com trabalhos comuns.

Pausa para café

De chávena quente na mão
Saboreio o novo dia a cada gole quente.
O cheiro a jornal traz a boa nova
De uma realidade certamente diferente
Ou não estivesse o Mundo em rebelião.

Cada página com um novo achado
Estimulado por um alcalóide vulgar,
O Sol ainda tímido e a rua desinibida.
São diferentes passos de um velho caminhar,
Por vezes traçado em tom desesperado.

Mas o café sabe sempre ao mesmo...


terça-feira, 12 de julho de 2011

"A Cidade"

Bom, volta a tal publicação desaparecida há uns tempo, vou lá saber porquê.

Já não me lembro que texto introdutório tinha escrito mas também não vejo grande problema nisso. Este poema surgiu dos meus muitos passeios a pé pela cidade de Faro, tanto durante o dia como à noite. Não quer dizer que tenha visto aquilo que aqui se descreve. A imaginação é o ponto de partida para todos os meus poemas e este não é excepção.

Este poema já se encontra musicado. Lá para Setembro talvez consiga gravar a música.


A Cidade

Passo a passo no passeio, entre as luzes pouco vivas
Vejo a água correr pela berma a limpar o resto dos dias.
Entre o fumo dos carros velozes cheiro a selva da cidade.
Multidões que com o olhar toco traçam rumos sem destino.

Estará viva a cidade?
Já não sinto o seu coração pisado pela multidão.

Talvez, quando o Sol aparecer, esta dispa as suas verdades
Que o silêncio da noite ofusca dos olhares da avenida.
Junto ao lixo que muitos desprezam outros pregam o seu retrato.
Entre carros de faróis cegos correm lágrimas de dor.

Estará viva a cidade?
Tenho pena deste seu rosto que surge depois do Sol posto.

Pelas ruas da cidade limpo a alma a cada passo.
Pois cada traço de dor que vejo
Faz-me crescer.

domingo, 10 de julho de 2011

O Regresso

Chega. Já lá vai muito tempo desde a última vez que aqui escrevi alguma coisa. As minhas rotinas mudaram e deixei este espaço para segundo plano. Mas já chega de silêncio.

O meu "regresso" à escrita não será melhor do que era. Não fiz qualquer tipo de retiro espiritual nem coisa que se pareça. Portanto não existiu qualquer tipo de evolução com esta minha ausência. Continuarei a escrever publicações completamente desinteressantes, e vou ver se arranjo inspiração para uma vez por outra publicar aqui algo mais elaborado. (sim, porque já chega de culpar o tempo pela ausência de poemas).

Entretanto fica já aqui definido que só lá para Setembro é que volto a gravar mais coisas, porque isso sim exige tempo e recursos, que é coisa que de momento não tenho. Mas fica prometido.

Vou voltar a publicar o poema "A Cidade" e vou ver se esta noite meto aqui algo novo. Entretanto fiquem com uma música que tenho gravada na minha cabeça há já muito tempo (leia-se anos), mas não fazia a mínima ideia de quem a tocava e do nome da música. Descobri isto ontem. "Music For a Found Harmonium" é ideal para acompanhar um bom momento de reflexão.

Bom dia a todos e até logo.



domingo, 15 de maio de 2011

domingo, 1 de maio de 2011

"Perspectiva"


Há uns meses fiz um pequeno (pequeníssimo) poema de 12 versos, onde o objectivo era começar cada verso com o número do respectivo verso. Uma ideia aparentemente absurda mas que até acabou por ser interessante de realizar.

O resultado chama-se "Perspectiva":

Um dia dou-te uma parte do meu corpo
Dois dedos, aqueles mais importantes.
Três dias passarão e eu já estarei morto,
Às quatro horas de ontem e uns instantes.
Cinco rosas vermelhas sobre a minha cama
E o Seis de Copas, a minha carta da sorte
Sete amigos trazem a mulher que me ama,
Oito segundos bastaram para chorar a morte.
Nove contos de reis me custou a camisa,
E dez notas verdes o meu fato de cetim.
Onze anos passei em constante pesquisa,
Doze homens agora carregam o meu fim.

03/02/2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Uma espécie de errata

A incoerência de ideias neste blogue assusta-me demasiado. Só agora reparei que num mês a minha opinião mudou radicalmente. Basta conferir as duas publicações anteriores.

Mas se mudou foi porque existiram razões para isso, porque isto raramente acontece...

O som do passado


Tem havido pouco tempo para escrever aqui no blogue. Com a minha rotina a dar uma volta no último mês, hábitos antigos têm sido deixados para segundo plano, não por falta de vontade mas por falta de agenda (e pela 23ª vez repito esta desculpa. Tenho de ser muito mais criativo).

O último mês foi marcado por muitas mudanças. Todo este espírito revolucionário levou-me a querer ouvir mais José Mário Branco e começar a ensaiar um repertório de grandes temas da música ligeira portuguesa (se bem que ainda não comecei a fazer isso, e não preciso de usar a desculpa pela 24ª vez). É nestas alturas de dificuldades que o nosso saudosismo desperta e começamos a apreciar as grandes obras do passado, os momentos em que a música portuguesa era "grandiosa" dentro do seu pequenino habitat. Não vivi os anos imediatamente a seguir ao 25 de Abril (nasci nessa mesma data uns anos mais tarde), mas deixo-me levar pela música de intervenção que nessa altura se fez e que ainda hoje tem, provavelmente, os melhores poemas escritos. Já falei anteriormente deste tópico aqui no blogue, mas fruto dos tempos em que vivemos nunca é demais relembrar a música que era usada como arma. Hoje, infelizmente, o que fazemos é recordar, e não são criadas novas "armas" eficazes para o combate à adversidade. Porque músicas que ficam na moda porque a banda é da moda, ou porque manifestações que apesar da sua grandiosidade não atingem o objectivo devido, as armas do passado são relembradas. Não porque continuam a ser eficazes, mas porque já o foram. Hoje em dia parece que o fumo da queima de caixotes do lixo ou do bater das pedras nos capacetes de combatentes gera um som mais cativante do que o de uma guitarra e de uma voz. Mas Portugal felizmente/infelizmente ainda não conhece essa sonoridade.

Não sou comunista, mas verdade seja dita que as melhores músicas são escritas por músicos de esquerda. Se calhar por não ser de esquerda é que não consigo criar algo minimamente semelhante a essas tão invejadas "armas" do passado. Mas também tenho pena que os outros que conseguem hoje em dia escrever bons poemas não sejam interpretados da melhor forma. Enfim, estamos "à rasca" porque não estamos habituados a fazer de tudo para não estar "à rasca".

Fica então aqui uma dessas tais "armas" do passado que tanto falei. E como esta se encaixa nos dias de hoje.


P.S. E depois de ter escrito esta publicação, a gasolina voltou a aumentar 2 cêntimos.