Bom, volta a tal publicação desaparecida há uns tempo, vou lá saber porquê.
Já não me lembro que texto introdutório tinha escrito mas também não vejo grande problema nisso. Este poema surgiu dos meus muitos passeios a pé pela cidade de Faro, tanto durante o dia como à noite. Não quer dizer que tenha visto aquilo que aqui se descreve. A imaginação é o ponto de partida para todos os meus poemas e este não é excepção.
Este poema já se encontra musicado. Lá para Setembro talvez consiga gravar a música.
A Cidade
Passo a passo no passeio, entre as luzes pouco vivas
Vejo a água correr pela berma a limpar o resto dos dias.
Entre o fumo dos carros velozes cheiro a selva da cidade.
Multidões que com o olhar toco traçam rumos sem destino.
Estará viva a cidade?
Já não sinto o seu coração pisado pela multidão.
Talvez, quando o Sol aparecer, esta dispa as suas verdades
Que o silêncio da noite ofusca dos olhares da avenida.
Junto ao lixo que muitos desprezam outros pregam o seu retrato.
Entre carros de faróis cegos correm lágrimas de dor.
Estará viva a cidade?
Tenho pena deste seu rosto que surge depois do Sol posto.
Pelas ruas da cidade limpo a alma a cada passo.
Pois cada traço de dor que vejo
Faz-me crescer.

